domingo, 12 de outubro de 2008

Um novo 1929?

"A Grande Depressão, também chamada por vezes de Crise de 1929, foi uma grande depressão econômica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Este período de depressão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de ações, e em praticamente todo medidor de atividade econômica, em diversos países no mundo."( Wikipédia)

Sim, existem pessoas que erroneamente co-relacionam esse fato a quebra de 29. É engraçado que algumas pessoas não consigam entender que as crises econômicas, assim como as guerras, as epidemias, as descobertas científicas, e etc, são componentes normais do processo histórico.

Claro que seria muito bom crescer sem sobressaltos e sem problemas, sem nenhum tipo de gargalo em nenhum ponto chave da economia ou da política, só que isto não é possível; problemas existem e acidentes acontecem.

Só mesmo na cabeça de alguém que acredita na "economia planificada perfeita, produzindo na quantidade certa e com a qualidade necessária os produtos que o timoneiro dos povos considerar apropriados para o consumo dos proletários" pode existir uma economia sem crises. No mundo real, as crises têm que entrar no planejamento, você tem que se preparar pra problemas, contingências.

Infelizmente para as esquerdas, não é o fim do capitalismo, é só mais uma crise. O mundo não vai acabar, mas talvez os administradores dos bancos se tornem um pouco mais cuidadosos com o dinheiro que emprestam. Só isso. Eu até penso que o governo americano devia ter deixado os incompetentes quebrarem, sem se atravessar na história, afinal, quem fez a confusão é que devia ter pago o pato.

A atual crise americana não tem absolutamente nada a ver com o discurso dos liberais sobre o livre mercado. Por décadas, políticas monetárias expansionistas andaram lado a lado com garantias implícitas e explícitas de socorros financeiros por parte do governo americano, e isso distorceu todo o processo de alocação de capital. A crise que o Tio Sam está enfrentando tem muito mais a ver com a ingerência do governo Bush do que com o capitalismo e a liberdade de mercado.

Agora, o governo americano crê que devolver o dinheiro arrecadado com os impostos e fixar taxas de juros mais baixas será o suficiente para reativar uma economia flagelada por dívidas monstruosas. Ledo engano: as medidas políticas que as autoridades americanas vêm implementando irão apenas prolongar a agonia do sistema financeiro.

No início desse ano, o BC americano decidiu gerenciar a crise das dívidas hipotecárias baseando-se na alegre crença de que alguns cortes agressivos na taxa básica de juros iriam "descongelar" o sistema bancário. Entretanto, datando do terceiro trimestre de 2008, as artérias do sistema financeiro ainda estão entupidas.

Os bancos e corretoras que ainda não quebraram têm sido mantidos vivos por transfusões monetárias de emergência.O Fed já abandonou qualquer resquício de racionalidade econômica e passou a agir de modo puramente político. Sua diretoria assumiu abertamente o objetivo de conduzir todo o sistema financeiro, pensando que assim irá livrá-lo da bagunça - pelo menos até o fim do ano, não importa o quão alto os custos estarão dali pra frente. Não tenho dúvidas de que as taxas de juros menores e os incentivos do governo voltados para estimular o consumo irão funcionar como um verdadeiro veneno para a economia americana.

No livro America's Great Depression, Murray Rothbard demonstra que a Grande Depressão foi uma crise criada e prolongada pelas tentativas do estado de evitar uma inevitável retração econômica. A resposta da política econômica ao declínio - impressão de mais dinheiro, sustentação artificial dos preços, arregimentação de sindicatos para se tentar manter o nível de empregos, e uma série de outros artifícios - levou a um colapso dos preços da bolsa de valores e a uma liquidação sem precedentes de vários bancos, além de ter espalhado desordem por cada setor da economia. Algo que poderia ter durado de um ano a 18 meses, acabou durando 16 anos.

Naquela época, o economista Ludwig von Mises tentou alertar para os perigos da intervenção com o livro Causes of the Economic Crisis. Hayek fez a mesmíssima coisa em seu livro Prices and Production e Robbins encerrou o assunto com The Great Depression.

Mesmo assim, essa visão ainda não se tornou comum. A sabedoria convencional segue dizendo que a Depressão foi um desastre natural, um furacão que varreu a sociedade e que precisava ser detido pelo governo. Uma outra visão, encontrada no trabalho dos monetaristas, diz que a Depressão foi causada pela omissão do governo em criar oceanos de papel-pintado. Essa parece ser a visão de Bernanke, presidente do Fed.

Os liberais não aplaudem as medidas de assistência elaboradas pelo governo dos EUA, pelo contrário, eles estão cansados de criticar estas medidas de socorro (chame do que você quiser: tutela, guarda, proteção, nacionalização, socialização... Não importa).

Socializar os prejuízos não é uma solução capitalista, mas sim socialista. Quando as gigantes do setor imobiliário Freddie Mac e Fannie Mae foram criadas (na era do New Deal) com a intenção de acelerar o processo de aquisição de imóveis por indivíduos que, em condições normais, todos os bancos considerariam indignos de crédito, o governo americano não estava seguindo a cartilha de Adam Smith, mas sim de Karl Marx.

Em uma economia de livre mercado e com moeda forte, empréstimos estão diretamente ligados à capacidade de pagamento. No início, eles estão disponíveis apenas para os ricos, mas à medida que a prosperidade vai se espalhando, a capacidade de crédito vai aumentando. Qualquer intervenção governamental concebida para injetar esteróides nesse processo vai acabar inevitavelmente criando aquilo que Rothbard chamou de aglomeração de erros.

Diferenciar aqueles que devem receber empréstimos daqueles que não devem é a principal função de um mercado competitivo. Se um financiador fizer uma análise falha sobre um mutuário, um outro financiador estará lá para corrigir o problema e lucrar com isso. Mas se você tentar acelerar artificialmente esse processo de prosperidade e decretar que cada pessoa que queira um empréstimo deve ganhar um, você criará uma situação na qual haverá problemas no futuro.

E foi exatamente isso que o governo norte-americano fez: criou a Freddie e a Fannie para que houvesse empréstimos subsidiados e assim inventou uma falsa privatização que secretamente socializou os prejuízos. O status jurídico dessas empresas - que eram geridas privadamente e tinham o capital aberto, mas que sempre foram protegidas pelo governo - nunca ficou claro; mas os mercados há muito assumiram que elas seriam salvas caso necessário.

Se os norte-americanos tivessem agido como verdadeiros capitalistas e adotado uma medida de livre mercado, os ativos e passivos da Fannie Mae e da Freddie Mac teriam sido leiloados no livre mercado. Nesse caso os prejuízos os prejuízos recairiam apenas sobre os responsáveis por toda essa lambança, ao invés de serem socializados para todo o país e quiçá, o mundo!

Quais seriam os resultados dessa medida? Certamente a imprensa ficaria em polvorosa e os graúdos das finanças iriam sofrer, mas com o tempo, os mercados iriam reavaliar os recursos e uma importante e a lição seria aprendida. Os empréstimos mais sólidos seriam assumidos por empresas financeiramente responsáveis e levados até sua maturação. O valor dos imóveis cairia e muitas pessoas teriam que se mudar para casas mais baratas. Mas somente assim a economia voltaria a ter fundamentos sólidos.

Para um governo que finge favorecer o livre mercado, essa possível solução sequer foi considerada. Ao contrário, o governo disse lamentar muito ter de disseminar os custos desse erro para toda a população. Ao invés de consertarem o erro, eles apenas o pioraram, pois acabaram ressaltando a idéia de que a América não tolerará falências de empresas; e quanto maior for a empresa, maior a probabilidade de ela ser salva.

Para ser ter uma idéia: de 1920 a 1922, houve um colapso financeiro tão robusto e sistemático quanto o de 1929. A diferença é que o governo nada fez para tentar resolvê-lo. Como resultado, a crise se resolveu sozinha e se tornou um evento esquecido. Em contraste, os presidentes Hoover e Roosevelt tentaram usar seus poderes sobre a economia e sobre o sistema monetário para tentar manter os preços altos e a liquidez do sistema bancário - exatamente aquilo que todos estão fazendo atualmente. As conseqüências? Bem, estas nos conhecemos muitíssimo bem.

O governo deveria deixar o sistema de preços prevalecer e sair completamente do caminho dos acontecimentos para permitir que o mercado reavalie o valor dos recursos. Sim, isso significaria muitas falências.Significaria também que vários bancos fechariam. Mas tudo isso faz parte do sistema capitalista. É assim que aconteceria em uma economia de livre mercado. O que é lastimável não é o processo de reajustamento; o que é lastimável é que esse processo tenha se tornado necessário em decorrência das intervenções anteriores.



Portanto,é evidente que essa crise não é o final dos tempos, e fazer a comparação ao episódio de 29 é uma grande bobagem: os EUA podem não ser aquele colosso da década de 50 - quando produziam mais de 50% da riqueza mundial – mas estão muito longe de quebrar. Até agora a crise provocou uma queda no índice Down Jones de aproximadamente 25%. Embora seja um número significativo, está muito distante daqueles 36% que ocorreram entre os meses de agosto e outubro de 1987.

Apesar de todo esse alarido, entre os meses de abril e junho deste ano o GDP cresceu uns 3% razoavelmente rápido e fechou o semestre com um crescimento de 2.2% (perto da média). Enfim, mesmo com toda essa confusão os EUA ainda são considerados risco zero para os investidores estrangeiros. E o mundo se salvará mais uma vez.

Que torce contra os EUA deveria se lembrar que a maior parte dos países do mundo depende do produto das vendas para os queridíssimos yankees. Em outras palavras: quando eles quebrarem (daqui há uns cinqüenta anos ou mais), eles levarão uma boa parte do mundo consigo.

In memóriam

Sobre o "ser" criança- uma criança nasce hoje num mundo muito mais incerto. Um mundo cujo futuro, que já era nebuloso devido as guerras, a fome e a riqueza das nações, agora é assombrado pelo fantasma da sobrevivência.

Devido a tudo aquilo que se julga pertinente a palavra "modernidade", ela estará condenada a não ser mais criada pelos seus pais, independente do quanto eles amem ou se preocupem com ela.

Ela terá sua infância sobrecarregada de responsabilidades e exigências que jamais deveriam ser impostas a ela nesta fase. E ainda será culpada por isso. A essa culpa, dá-se a desculpa da precocidade.

Ela será educada, informada e conscientizada, em todos os níveis conscientes e insconscientes de seu intelecto, ao longo de toda sua vida, por um contingente invisível e imensurável, de pessoas despreparadas, arrogantes, egoístas, infelizes e completamente desassocidadas de qualquer noção de senso, responsabilidade e comprometimento.

Um dia ela irá romper esta barreira, e devolverá ao mundo, aquilo que dele absorveu. Por isso, ao se deparar com uma criança ao longo da vida, ame-a e acima de tudo: respeite-a. Esqueça a voz da experiência daqueles que não sabem o que falam, e relembre e sinta a sua própria infância, e saberá exatamente aquilo que ela necessita, e que anseia em receber de você, a pessoa que ela escolheu.

Não se sinta, porém, obrigado a assumir tal responsabildade. Pois muito melhor, do que se ver obrigado a ser responsável por alguém, é entender que ali, está a oportunidade de continuar a aprender, agora ensinando alguém e a si próprio... a viver.

In memoriam: Miguel.

domingo, 28 de setembro de 2008

A política é um espetáculo



Em quem você irá votar para presidente dos Estados Unidos... da América... do Mundo?

Digo isto porque até semana passada acreditei que iríamos votar para prefeito em nossas cidades, aqui mesmo no Brasil. Cada um iria se digirir a uma zona eleitoral e votar na Marta Suplicy, ou na Soninha, ou no Eduardo Paes, ou no Crivella, ou no Gabeira...

Até tentei obter informações sobre o dia-a-dia dos candidatos, já que o horário eleitoral gratuito parece estar ainda no século passado: só passa na hora em que criança ou donas de casa podem assistir, e em vez de se lembrar que internet existe, pretende apenas nas próximas eleições invadir a tv a cabo. Em vez de procurar atender quem quer ver o programa, eles apenas querem insistir em atrapalhar quem não está interessado.

Eu estou, e muito, em conhecer os candidatos, mas o horário eleitoral é inviável, sites de partidos são aborrecidos, blogs e portais são tendenciosos (tanto que o IG bem que tentou se meter no meio mas a justiça eleitoral proibiu - ainda bem que o juíz aparenta ser leitor do Diogo Mainardi e não tem memória curta).

Só me resta procurar os jornais da noite na TV a cabo, mas aí os únicos candidados que possuem destaque na programação nacional são os internacionais BaracK Obama e John McCain. Todos os analistas, correspondentes e etc estão lá, em vez de correr e analisar a alavancada de Eduardo Paes sobre o bispo Crivella no Rio, ou as implicações na corrida presidencial ao eleger Alckmin agora em SP, eles estão lá servindo de audiência-fanzoca para as convenções democratas e republicanas. Ou seja, o sujeito vai lá pro meio do furacão analisar John McCain, ou aplaudir a pirotecnia verbal de Obama, mas não deu nem uma passada rápida para ver o que rola no Fórum de São Paulo e a quantas anda a cabeça do idiota latino-americano. Qual o ganho das Farc elegendo um prefeito paulistano petista? E lá nas fronteiras com a Colômbia?

Já que não tenho como opinar sobre essas coisas nacionais de segunda importância, registro aqui então minha preferência de voto por John McCain. Não porque Obama seja inexperiente, ou porque McCain seja um veterano de guerra, mas simplesmente porque as televisões aqui no Brasil já escolheram o candidato popstar, e se no Brasil a TV diz que Obama é o tal, e elas fazem isso toda a noite, preciso então, mais uma vez, remar contra a maré, pois - já falando nela - a mídia parece se importar mais com os pinguins engraçadinhos que ela traz, do que falar da merda que bóia no mar, quando quebra na praia, e não é nada bonito.

Eu também voto no McCain porque pensando como "oposição", o candidato que mais proporciona abertura ao resto do mundo é o republicano. A plataforma de Obama prevê a manutenção das barreiras aos produtores de commodities.Em outras palavras: bom é o candidato que fode a pátria dos outros. Se eu estivesse lá, logicamente, votaria em Obama.

Mas como disse McCain, o partido dele é o de Lincon, e não o de Bush. Isso pesa. E ele realmente foi um combatente, e não um desertor como George W. É mais ou menos a situação de José Serra enfrentando Lula no primeiro mandato: ele que era a verdadeira mudança... Como hoje diz McCain.

sábado, 27 de setembro de 2008

Reflexões de um novo sábado:



Conta a história (real) de Jean-Dominique Bauby, pessoa conhecida como um homem que sabia apreciar a vida, sendo pai de 3 crianças, editor da Elle francesa e que após sofrer um derrame é preciso conviver com a síndrome do confinamento: sua mente funciona, mas seu corpo não, e seu único contato com o meio exterior são os ouvidos e o olho esquerdo.

A sua história em si, é o inverso de outro grande filme, "Mar adentro", que contava a história de um homem com paralisia que lutou pelo direito de morrer. A história de Jean é a de sua luta pela superação, pois ao longo do filme terá que vencer seu casulo, a partir da ajuda de seus médicos e família, que passarão a ouvir seu relato através de uma linguagem desenvolvida para que ele se comunique apenas com o olhar. O filme nada mais é que o livro que o próprio ditou com seu olho esquerdo.

Longe de ser uma biografia convencional, o filme é perfeito por retratar a percepção do mundo que o personagem tem dentro de seu corpo-escafrando: sua agonia inicial em descobrir seu estado, e que é passada brilhantemente para o espectador (todas as cenas em 1a pessoa), suas memórias lúcidas, sua imaginação e as abstrações que ela pode lhe proporcionar. Logo, o resultado é um filme linear em história (dor, superação e redenção), mas bem lírico em suas imagens.

Além de momentos tocantes que tratam da condição dos deficientes físicos em termos gerais, muitas vezes com o bom humor característico do próprio autor-personagem que, de fato, era um sujeito realmente extraordinário.

Um livro de grande sucesso na Europa e que se tornou um grande filme na França nas mãos sofisticadas de Julian Schnabel. È...valeu pela excelente recomendação Gauzinha: esse é um tipo de coisa que vale muito a pena ler. Melhor dizendo: ele deve ser assistido, e concomitantemente, experimentado. A lógica da vida previsível e cotidiana da qual nos acostumamos a acreditar como a verdade, nos é questionada constantemente nesse filme.

domingo, 14 de setembro de 2008

Luz na escuridão


Adaptação de Fernando Meireles para Ensaio sobre a cegueira, de Saramago estreou na última sexta . Começa com a genial epígrade:
" Se podes olhar, vê. Se podes ver, repare."

Geniosa metáfora do autor para ilustrar a estranha e comovente história de um povo vitimado por uma cegueira inexplicável. A história começa com um motorista, que subitamente fica cego enquanto está parado em um sinal vermelho. Com uma pequena diferença: ele não mergulha numa total escuridão, mas sim numa cegueira leitosa, completamente branca.

A partir daí, a cegueira vai contaminando outras pessoas como que num ciclo, começando por ele e seguindo através das pessoas que mantiveram contato com ele, desde o seu médico, passando pela mulher dele, os pacientes, até que se torna uma epidemia misteriosa. Todos os cegos são confinados em locais abandonados e fechados, sob as ordens dos que ainda conservavam a sua visão.

Diante desse cenário, quem enxergava tornava-se uma autoridade, estabelecendo de que forma os cegos deveriam se comportar. Apesar da "epidemia" chegar
a um grau tão extenso, acabando por atingir toda a população do local, a mulher do médico é a única pessoa que ainda consegue enxergar e assim registrar todo o horror e provação que os cegos enfrentam. Observando o comportamento deles a concluir que as pessoas tornam-se realmente quem elas são, partir e o modo como relacionam-se uns com os outros, ela chega a a partir do momento em que não podem julgar a partir do que vêem.

O clima de degradação parece não ter fim: os doentes tropeçam nas próprias fezes e em mortos. A desordem se torna absoluta, e o mundo se percebe desolado. Uma ante-sala da barbárie total.


Depois de várias propostas recusadas pelo autor, coube ao Meireles dirigir uma obra considerada até então, infilmável. Os atores estão convincentes: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, e a muito boa, Alice Braga. Não é um exercício fácil o de compreender a obra de Saramago, mas Meireles teve êxito, e esse filme que não tem a intenção de ser nenhum blockbuster é apreciado por leitores( algo raro) e também pelo exigente autor.

Em poucas palavras, é uma obra que vale a pena ser vista.
Mas, antes, vai a dica: leia antes o livro.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Que os hadrons evaporem com os infiéis...




Glorificado por cientistas e pela imprensa, e excomungado por tantos outros cientistas, religiosos e pessoas com visões humanitárias ao extremo, O LHC pretende simplesmente recriar as condições do "Big Bang" (como diz a imprensa não especializada) através da aceleração de um feixe de prótons à velocidadade da luz antes de explodi-los e assim constatar a existência dos bósons de Higgs, que hoje já existem em teoria.

Para alguns portanto, o LHC é a ferramenta que dará um passo adiante na escala de evolução da capacidade humana de enteder e provar aquilo que se observa. Para outros é apenas um passo para a aniquilação da humanidade que brinca de ser Deus, já que o experimento irá falhar de maneira catastrófica gerando um buraco negro que sugará o planeta.

Ao longo dos anos, inúmeras foram as tentativas de frear a curiosidade do espírito humano, causando dor e destruição a civilizações inteiras. E portanto, seja em nome da ciência, da evolução, da busca pelo conhecimento, ou de mais e melhores invenções, minha opinião é a de que eles, os brilhantes cientistas imorais do CERN, metam o pé na tábua e acelerem os prótons na velocidade que precisam.

E se o mundo acabar por causa disso, prefiro que seja de fato sugado por um buraco negro, ou transformado em nada devido a anti-máteria, do que deixar que ele acabe na mão de gente doida que arremessa aviões contra prédios, porque Deus mandou.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Brevidade de um sonho:


Um menino britânico de 8 anos morreu um dia depois de realizar seu sonho de se casar com uma amiga de escola. Reece Fleming tinha leucemia há quatro anos e, depois de saber que o menino tinha pouco tempo de vida, os pais decidiram realizar todas as suas vontades, segundo informa o jornal espanhol 20 Minutos. Em maio deste ano, os médicos disseram aos pais de Reece que ele teria apenas algumas semanas de vida. Desde então, o casal decidiu fazer tudo que estivesse ao seu alcance para que fosse feliz em seus últimos dias de vida. O maior sonho do menino era reencontrar a amiga de escola Elleanor Purgslove. Os dois retomaram a amizade e ele decidiu pedir a mão da menina em casamento. Ela aceitou e os pais de ambos organizaram a cerimônia. Embora sem valor legal, a celebração teve direito a alianças, registro, passeio de limusine e jantar, como qualquer outra festa de casamento. A cerimônia aconteceu no dia 4 de julho. No dia 5, Reece morreu em casa, com seus pais. A mãe contou ao jornal britânico Daily Telegraph que, depois de realizar seu sonho, o menino lhe disse "agora posso ir-me".

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Que coisa estranha, linda, e triste. A vida é essa coisa assim... sei lá. Tem horas que nem dá pra tentar pensar.
Purgslove? Que coisa bizarra... e poética. Espero que a menina fique bem. Acho que aconteceu o que tinha que acontecer. Essa era a primeira parte da coisa. A segunda é a menina seguir com a vida dela. Acredito que vai dar tudo certo pra ela. Até porque se ela aceitou isso, e duvido que tenha sido uma experiência forçada (ou feita de forma ridícula), é mais um sinal de que a coisa não se deu de forma turbulenta. Apesar de não haver mais informações sobre isso, acredito que tenha sido assim. E se assim foi... são duas grandes pequenas pessoas.

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Escrevi esse texto assim que foi noticiado o episódio. Hoje, analisando coisas banais e das mais impotantes da vida, lembrei-me de dessa história. Lembrei-me de Reece Fleming.
As vezes o que realmente comove e deixa marcas são esses pequenos sinais de vida.
Sim, daria um excelente livro, e talvez um filme interessante. E sempre discordo quando falam que é uma história triste...

Afinal de contas, realizou o sonho de toda uma vida. Ok, o fato da vida dele ter sido curta é triste, mas quantos vivem toda uma existência com a certeza de que sua vida foi vazia e sem sentido. No fim, o menino teve sorte. Ou nós, se prestarmos atenção aos sinais que que a vida nos dá diariamente.